amar, cuidar, seguir

O embaraçoso diálogo entre Jesus e Pedro é revelador da relação entre
a verdade da nossa relação com Deus
e a relação de cuidado com o nosso semelhante.

O que dizemos a Deus – como o vemos a ele –
e o que estamos dispostos a escutar dele – como ele nos vê a nós –
projecta-se, revela-se na nossa relação com o próximo, com o semelhante;
relação que se inspira sempre na vida, no dom, na morte de Jesus,
como quem está disposto a “estender as mãos”, a oferecer-se.

A quem está disposto a ser dom Jesus acrescenta:
“segue-me”.

[a propósito de Actos dos Apóstolos 25,13-21 e João 21,15-19]

dos homens e dos deuses

No texto de “Actos dos Apóstolos” lemos o grande projecto da vida de Paulo,

a sua vocação de dirigir-se a improváveis.
“Assim como deste testemunho em Jerusalém – na maior cidade dos deuses –
darás em Roma – na maior cidade dos homens”.
Poder-se-ia concluir que esta é também a missão do cristão,
esta é também a missão da Igreja:
amar Deus a ponto de dialogar com ele e de revelá-lo aos outros,
e amar os outros a ponto de dialogar com eles e apresentá-los a Deus;
sem condenações, sem juízos,
sem militâncias que matam o diálogo e silenciam os outros
(como entre fariseus e saduceus).
Antes, com palavras-ponte, com gestos-ponte, que construam unidade entre semelhantes,
que construam unidade entre humanos – condição que o próprio Deus quis assumir para si -;
palavras-ponte e gestos-ponte que revelem a “glória de Deus”,
que nos revelem com vontade de viver
e com sede daquele que nos desafia a ampliar a nossa vida
em cada dia,
em cada Páscoa.
[a propósito de Actos dos Apóstolos 22 e João 17]