Paulo, um lúcido

Celebramos a lucidez de Paulo,
e nela, a nossa.
Paulo nasce judeu e morre judeu,
o que mudou foi a forma de ver:
de gente a perseguir, a irmãos;
de gente desordeira, impura e rebelde, a amados;
de nada a tudo, a membros de um corpo que é o corpo do próprio Deus.
Paulo, agora cheio do Espírito Santo,
do sopro protagonista do livro dos Actos dos Apóstolos, do motor e agente no mundo,
faz-se alimento daqueles que devorava.
Essa é a Páscoa que nos espera e que desejamos ardentemente:
partilhar a vida como quem rasga e oferece pão.

a linguagem da "coroa"

Lucas apresenta-nos a intervenção de Estêvão,
a única, imediatamente antes de ser assassinado.
Neste quadro assistimos a um movimento performativo.
Estêvão – “o coroado”; o primeiro mártir apresentado nos textos das origens do cristianismo;
um cristão “crístico” – devolve o Espírito, devolve o sopro, devolve o hálito,
devolve o alento, devolve o Deus-Agente em nós.
Devolve a vida ao autor da vida,
devolve o tesouro de vida que rendeu cem por um em cada oferta de si.
Essa é a linguagem da semente que destruída germina,
essa é a linguagem do pão que rasgado, repartido, sacia, dá vida, fortalece.
Essa é a linguagem do cristão que vive tanto mais quanto mais for capaz de fazer viver, de oferecer vida, de ser verdade, bondade, beleza oferecidas.