confirmam-se genes de bondade, de verdade, de beleza no nosso sangue

Ao acenar a um Deus-Agente, 

a um Deus-Espírito que nos ensina, que nos faz conhecer, que nos guia na verdade,
João não fala de “fantasmas”. Antes, releva um Deus que incarna 
e continua a respirar no ser humano.
Como em Paulo, como o sopro que sai de Paulo aos seus contemporâneos 
sem condenação,
cheio de vontade de aproximar,
cheio de laços e pontes.
Palpa-se aí a presença do Deus do qual somos da mesma raça.
E se o escândalo de poder ressurgir fez rir alguns,
se pode parecer absurdo que até Deus esteja interessado em que comecemos sempre de novo,
é mesmo essa Páscoa que queremos celebrar:
do Deus que, falando a nossa linguagem,
nos convoca a passar o próprio tempo
em cada laço, em cada ponte, que devolvem o presente, que antecipam o eterno.

um Deus que se faz entender

Foi-nos dado Deus-Espírito,
Deus-Agente em nós, Deus-Agente no mundo,
Deus-Consução – não destino.
Um Deus que convoca à Liberdade.

Paulo e Silas na prisão
e “todos os presos os escutam”
e “as cadeias de todos se desprenderam”.
Lucas apresenta-nos um Deus entendido por presos,
por condenados, por desconfortáveis;
um Deus entendido por amantes
porque desafia à desmesura,
à liberdade de se dar totalmente.
A medida do Espírito que nos foi dado é essa:
cuidarmos do outro – sendo o outro sempre a melhor imagem de Deus -,
como cuidou aquele “guarda-libertado”
que mesmo em hora incómoda
“lavou feridas” e pôs a mesa àqueles “estranhos semelhantes”;
como esse “guarda-libertado” que na totalidade, na desmesura,
experimentou a alegria de sentir o Deus-Agente.

[a propósito de Actos dos Apóstolos 16 e João 16]