O nome Yahweh-Salva – Yeshua, Jesus – ilumina o olhar,
deixa ver, coloca de pé, põe a caminho, “abre o jogo”, revela o que falta ver.

Naquele judeu marginal, camponês, rabino na Galileia, vemos o que faltava ver-se:
Yahweh salva!
Em “Josué” acenaram-nos dizendo “O-Eterno-Salva”, e a salvação de que falávamos era a chegada a uma meta no fim de um grande caminho, era a entrada num sonho já sem sono…
Na vida de Yeshua acrescenta-se um monossílabo:
“Yahweh Só Salva”, só sabe salvar, só pode salvar.
João dirá que Deus é Amor
conduzindo-nos pela mão a acreditar num Deus que só sabe amar, que só pode amar.
Esse Yahweh, é como uma rede que não pode romper-se.
Onde cabe a diversidade toda, onde ninguém se sente de fora.

“tendes alguma coisa que se coma?” responderam-lhe: “não”
Aquele que rasgou um pão, deixando rasgar a vida,
para que o sentido fosse o dom de si como alimento, e não o “safar-se”,
encontra “os rapazes” sem alimento, sem nada para oferecer…
O Yahweh-Que-Só-Salva, sugerindo nova pesca,
oferece tudo e lembra que o alimento são todos!
A salvação, o sentido da vida em cheio, está em ser-se alimento;
e isso todos podem ser, todos os protagonistas de tanta diversidade…

Há uma Páscoa que todos desejamos ardentemente comer:
aquela em que todos somos alimento de todos;
já sem predadores, antes nas 153 espécies de cuidadores.

[a propósito de actos dos apóstolos 4 e joão 21]

Melhor Actor: Agente Ruah-Dabar

Num policial comum, à boa maneira dos grandes cineastas, somos transportados na teia da investigação, presos por fios de Ariadne à locomotiva que viaja desde o crime ao desfecho (in)justo. Apesar de neste último residir o suspiro aliviado, é na “viagem-trama(da)” que tudo nos é contado, que tudo vai sendo desvelado, que tudo é, imprevisivelmente, criado. Apreciamos mais a viagem a que nos convida o autor, do que a sua consumação mais ou menos prevista.

“Agente Ruah-Dabar”, não tendo sido nomeado para melhor actor, é o personagem central e genial do clássico Actos dos Apóstolos

Entendendo a obra como uma viagem, Ruah [Espírito] é o agente que está por detrás das origens e da estruturação da Ekklesia de Jerusalém, ainda ligada ao Templo e à Lei, anima os cristãos durante as perseguições e move-os para Antioquia, converte Paulo e fá-lo ocupar o vazio “protagonístico” deixado na morte de Pedro, move Paulo e Barnabé na conversão dos pagãos, cria novas Ekklesiai no caminho de Roma, suporta o confronto com a cultura helénica e com as autoridades do império, entra, com Paulo, no coração do Império. 
Entendendo a obra como comunicação de uma Notícia, Dabar [Palavra, como espírito-ditoage em todos os personagens e pelos personagens. Cumprindo o objectivo inicial do livro: ser testemunha de Yeshua até aos confins do mundo.
É no binómio espírito-palavra que tudo se joga e onde tudo se esclarece.


[in http://actoseepistolas.blogspot.pt/2007/09/agente-ruah-dabar.html]