coroa de "hálito" e palavra

Lucas, na obra “actos dos apóstolos”, evidencia Estêvão,
personagem que entra e sai de cena num repente,
evidenciando os dois personagens principais: o espírito e a palavra.

Se entendermos “espírito” (ruah) como sopro, hálito,
o que me faz respirar, o que me move, o que motiva as minhas escolhas,
a construção de mim – sendo o Espírito Santo a construção de Deus comigo,
de Deus em mim -,
e “palavra” como comunicação de si, vida partilhada, vida oferecida – sendo o dom de Jesus a única e definitiva Palavra de Deus,
Estêvão – o primeiro mártir, o “coroado” – apresenta-se como modelo do cristão
que constrói a sua vida, passo a passo, na oferta da sua vida até ao fim,
tal como aquele judeu marginal que mudou a história,

e que está sempre prestes a mudar a nossa história
sempre que acreditamos em Jesus,
sempre que a nossa vida toda é construção de um dom, de um presente no presente,
sempre que a nossa vida toda é oferecida, empenhada para que o meu próximo viva mais.

Podia ter sido Estevinho, mas foi Estêvão

Estêvão andava sempre com o Espírito e entregou-o na hora certa.
Nas frases em que o autor de Actos dos Apóstolos se refere a Estêvão relaciona-o sempre com o Espírito – personagem central da narrativa.
Escolhido para servir “às mesas” com outros companheiros, Estêvão distingue-se dos seus pares – segundo o narrador – por ser um homem “cheio de fé e do Espírito Santo”, a ponto de a sua vida e a sua morte serem apresentadas como decalque da paixão de Jesus.
Estêvão personifica a seita tão nova e tão prodigiosa que os cristãos representavam, a fé consciente e coerente a que são chamados todos os seguidores de Jesus Cristo e, por último, o início do “risco da jangada de pedra”: a génese da demarcação do judaísmo e da comunidade de Jerusalém.

[a propósito de Estêvão, em actos 6 – 8]

[in http://actoseepistolas.blogspot.pt/2007/10/podia-ter-sido-estvinho-mas-foi-estvo.html]