o filipe que nos diz

Lembrando Tiago e Filipe
– Tiago, um íntimo que os textos nos habituaram a ter sempre presente -,
demoro-me em Filipe porque se apresenta como um explorador, um “buscador”,
rodeado de amigos exploradores também – como Nicodemos…

João aproxima-nos de Filipe,
conduz-nos pela mão a que nos identifiquemos com ele, com a sua busca.
Buscamos o Pai, a fonte da nossa semelhança, da nossa unidade,
a fonte do amor que gera vida,
a fonte do dom de si.

Revelamos o Pai quando mergulhamos na vida de Jesus,
revelamos o Pai quando mergulhamos na vida de Jesus-Caminho: quando nos vemos inacabados,
revelamos o Pai quando mergulhamos na vida de Jesus-Verdade: quando a nossa nudez é ponte,
revelamos o Pai quando mergulhamos na vida de Jesus-Vida: quando nos sentimos feitos por muitos e feitos para muitos.

somos semelhança

Lemos hoje um texto que é um hino à semelhança,
uma narração que exalta o que verdadeiramente nos coloca em relação
com os outros e com o próprio Deus: somos semelhantes.

Lucas evidencia a comunhão do grupo de Pedro – de sensibilidade pró-judáica -,
com o grupo de Paulo – de sensibilidade mais conciliadora entre judeus e gentios -,
porque “a fé purifica os corações”;
os laços, a relação, a vida oferecida, o dom de si,
a busca do bem, da verdade, da beleza no próximo, com o próximo, pelo próximo
aproxima-nos e diz o que define qualquer fronteira:
somos semelhantes, somos irmãos.

Olhando-nos assim, cuidando-nos assim,
rezamos da melhor forma a oração em que tratamos Deus como nosso Pai,
sentimos na pele a alegria de sermos Deus,
de virmos dele e para ele voltarmos,
e de o revelarmos em cada gesto, em cada palavra.