na porta de Salomão

Lucas coloca este monólogo de Pedro na porta de Salomão.
Em certa medida situa-nos no registo que identifica Salomão: a sabedoria, a vida com sabor.

O sabor de que se fala surge a meio da notícia:
foi “amen” que deu forças,
foi “vida amarrada” que colocou de pé,
foram “laços” que deram forças e colocaram de pé…
gestos de vida amarrada de verdade, amarrada de bondade, amarrada de beleza,

como os gestos de Yeshua que iluminam e fazem ver melhor;
gestos de quem é e se faz próximo,
gestos de quem reparte alimento como quem reparte a própria vida…

e o melhor de tudo, é que nós somos testemunhas destas coisas!

[a propósito de actos dos apóstolos 3 e lucas 24]

na porta formosa

como aquele coxo também nos acomodamos à porta de templos
à porta das nossas seguranças e confortos, e chamamos-lhe “formosa”
e olhamos para “pedros” e “joões” esperando sempre receber deles.

o coxo em vez de esmola recebe uma medida: dar-se todo.
é isso que faz erguer
é isso que faz sair dos meus templos
é isso que faz levantar o horizonte
é isso que faz levantar o céu

é isso que faz ver, mesmo quando regressamos a emaús.
aquele que vive agora, encontra dois mortos,
sem memória, sem esperança, sem vontade, de volta para os seus templos,
de volta a só pedir esmola

yeshua lembra-lhes o sentido da vida como pão, alimento que se reparte para dar mais vida.
o fim da vida não é sombra de túmulo,
a finalidade da vida, aquilo a que aponta é mais-que-vida
e o dom-de-si é mais-que-vida.

essa é a “passagem” que queremos comer.

[a propósito de actos dos apóstolos 3 e de lucas 24]