somos semelhança

Lemos hoje um texto que é um hino à semelhança,
uma narração que exalta o que verdadeiramente nos coloca em relação
com os outros e com o próprio Deus: somos semelhantes.

Lucas evidencia a comunhão do grupo de Pedro – de sensibilidade pró-judáica -,
com o grupo de Paulo – de sensibilidade mais conciliadora entre judeus e gentios -,
porque “a fé purifica os corações”;
os laços, a relação, a vida oferecida, o dom de si,
a busca do bem, da verdade, da beleza no próximo, com o próximo, pelo próximo
aproxima-nos e diz o que define qualquer fronteira:
somos semelhantes, somos irmãos.

Olhando-nos assim, cuidando-nos assim,
rezamos da melhor forma a oração em que tratamos Deus como nosso Pai,
sentimos na pele a alegria de sermos Deus,
de virmos dele e para ele voltarmos,
e de o revelarmos em cada gesto, em cada palavra.

como se todo o mundo fosse periferia

Paulo é desprezado, apedrejado e “morto” no centro, na cidade.
Fora da cidade, a periferia, a fronteira,
apresenta-se como o lugar do cuidado, da saúde, da vida dedicada,
porque no limite saboreamos a semelhança.

O “sofrer muito” de que fala Paulo – a ponto de morrer – passou,
e passa, por trazer para o centro o que é próprio da periferia:
mais pontes que fronteiras,
mais cuidado e dedicação que cálculos e esquemas.

É essa paz que falta construir,
“sem vencedores nem vencidos”,
feita de pontes e laços de irmãos.