tu podes curar-me

“Todos os que o tocavam ficavam curados”; “pediam que deixasse tocar na orla do manto”

O maior milagre que nos apresenta Marcos é um deus que se deixa tocar. Por ventura, é a proximidade do toque que cura, é a relação (e as distâncias que ela encurta) que salva, que dá saúde, que cura…

Se Mateus diz a verdade no capítulo 25 do seu livro, que cada vez que damos de comer ou de beber, de cada vez que visitamos alguém doente é ao próprio Jesus que o fazemos, hoje vamos visitar Jesus e vamos poder tocar-lhe.

Deixemo-nos curar pelos nossos irmãos e irmãs que estão doentes: curemos a nossa impaciência com a paciência deles; curemos a nossa ligeireza com a tristeza deles; curemos as nossas certezas e seguranças com a sua vida em suspenso…

Façamos da relação que somos chamados a criar, espaço de saúde, de cura de ambos.

[a propósito de Marcos 6,53-56]

de pé, à minha altura

O texto “Actos dos Apóstolos” coloca-nos em posição desconfortável:
fomos expulsos de certos centros,
enviados, aceites, reconhecidos em periferias.
Assim aconteceu com Paulo e Barnabé
que na periferia reconhecem num frágil
fé para ser curado,
laços de vida, relação, amor, para viver de pé, para viver com sentido.

Reconhecer fé, relação, amor no próximo, no frágil, é colocá-lo de pé, é fazê-lo viver,
colocá-lo à minha altura, levantá-lo e olhá-lo como semelhante, como irmão
– sendo essa a forma mais eloquente de tratar Deus por Pai.

Essa é a morada de Deus:
aquele em quem acreditamos, vive, faz-se carne, habita, ressurge
em cada palavra, em cada gesto de vida oferecida
que garante sermos imagem e semelhança
do Deus que se faz semelhante.