não cumprir a escritura

Hoje não queremos cumprir a escritura:
“Quem come do meu pão levanta contra mim o pé”.
E como é possível não cumprir a escritura?
Basta só fazer a outros o que Jesus fez connosco:
basta usar com outros a tolerância que Jesus tem comigo;
o perdão que Jesus usa comigo; a aceitação total com que Jesus me aceita;
o carinho com que Jesus me pega ao colo.
Esse é o único caminho para amarmos o Deus de Jesus.
Ele disse: “o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes”;
“quem vos recebe, a mim recebe”… Ele disse que é outros.
Mesmo que eu me encerre num ermitério para sempre,
se no meu coração não estiver a certeza de que só nos outros posso amar Jesus,
só no amor pelo que está mais próximo de mim
posso devolver o amor que Jesus tem por mim,
sou como um simples sino que ecoa…

Perguntemo-nos:
no dia de hoje, a quem e quantas vezes estou disposto a lavar os pés?
a quem e quantas vezes estou disposto a fazer com outros o que Jesus fez comigo?
a quem e quantas vezes não quero cumprir a escritura
comendo “deste pão” e levantando o calcanhar?

[a propósito de João 13,16-20]

tu podes curar-me

“Todos os que o tocavam ficavam curados”; “pediam que deixasse tocar na orla do manto”

O maior milagre que nos apresenta Marcos é um deus que se deixa tocar. Por ventura, é a proximidade do toque que cura, é a relação (e as distâncias que ela encurta) que salva, que dá saúde, que cura…

Se Mateus diz a verdade no capítulo 25 do seu livro, que cada vez que damos de comer ou de beber, de cada vez que visitamos alguém doente é ao próprio Jesus que o fazemos, hoje vamos visitar Jesus e vamos poder tocar-lhe.

Deixemo-nos curar pelos nossos irmãos e irmãs que estão doentes: curemos a nossa impaciência com a paciência deles; curemos a nossa ligeireza com a tristeza deles; curemos as nossas certezas e seguranças com a sua vida em suspenso…

Façamos da relação que somos chamados a criar, espaço de saúde, de cura de ambos.

[a propósito de Marcos 6,53-56]